Dia 18 de fevereiro de 2013: eis que me encontro na Rodoviária Novo Rio (um dos lugares que mais amo, por sinal!), em uma espera ansiosa pelo ônibus das 23:57,  a caminho de Barbacena....
Eu sei que pode parecer um pouco estranho, e de repente você está se perguntando o que tem essa cidade de tão especial, acertei? Pois bem. Para mim ela abrigou um espaço de muita dor e sofrimento que hoje pode ser lembrado pelo Museu da Loucura, que fica localizado no antigo hospício.
Eu posso estar sendo um pouco repetitiva ao levantar novamente essa questão da loucura, mas esse tema definitivamente me causa um tipo de arrebatamento que não sei explicar. Acredito que por ser algo tão distinto de nossa realidade, de minha realidade, é algo que não sabemos ao certo o que é, e nem como definir exatamente. Seria o outro lado da moeda. Ou um medo de olhar para o espelho e considerar a possibilidade de um dia nos depararmos com algo assustador: nós mesmos. A loucura ao mesmo tempo em que fascina causa aversão, e ninguém está 100% seguro quando o assunto é a mente.
Por conta da “alienação” ser considerada um lado avesso da vida “normal”, pacientes de todas as partes eram abandonados em Barbacena, chegando às dezenas nos “trens de doidos”, que até hoje é lembrado pela população local, como pude constatar. Sem estrutura para receber sua crescente população, o Hospital Colônia se transformou em um verdadeiro depósito de rejeitados. Calcula-se que mais de 60 mil pessoas morreram ali. Todos aqueles que incomodavam a sociedade eram jogados para aquele espaço que oficialmente estava relacionado à cura. Tornou-se um verdadeiro “Cemitério dos vivos”, como diria Lima Barreto.

Para preservar e defender a memória e a história da cidade e de todos aqueles condenados à exclusão, foi inaugurado no dia 16 de Agosto de 1996 o Museu da Loucura. No antigo Hospital Colônia de Barbacena, hoje totalmente restaurado e adaptado para finalidades culturais, é contada uma história de quase um século de sofrimentos e estigmas. Através de objetos, documentos, fotografias e sons, o Museu nada mais é que um tributo às dezenas de vítimas do lendário Hospital.
E conhecer um local como esse para mim foi algo fora do comum, pois vendo aquelas imagens eu pude perceber que realmente muito sofrimento e muitas injustiças foram cometidas em prol de um “bem maior”. E a partir disso pude me perceber de outra forma, me reencontrar com a minha própria existência, ou pelo menos parte dela.

3 comentários:

  1. brincadeira. deve ser angustiante mesmo. senti algo assim no museu da ditadura do Paraguai

    ResponderExcluir
  2. Às vezes, não consigo digerir que tantos sofrimentos e tantas injustiças tenham realmente existido (com a desculpa de se buscar um “bem maior”). Às vezes, não consigo digerir nem os sofrimentos e as injustiças que vejo no presente. Haja tubo digestório!

    ResponderExcluir