Uma foto de Michael
Wesely espanta ao vermos em sua legenda a data de feitura: 1997 até
1999. Ué, mas a fotografia não é a arte do instante? Essa pergunta é o que me
leva até as palavras que ouvi em uma aula: “A fotografia tende ao movimento,
ao dinamismo, à duração; enquanto o cinema tende ao retardo e à suspensão”.
Olha só a arte subvertendo todo o senso comum e nos traindo de novo.
Acredito
que se trata de um ímpeto, uma vontade humana
qualquer de esgotar as experimentações - por sorte e para o bom funcionamento
da alma que só sente vontade de levantar o corpo da cama quando estas são
inesgotáveis -, ou seja, o quão divertido pode
ser subverter os objetos e o esperado, expandindo assim, o horizonte.
No final do século XIX, por exemplo,
existiam diversos fotoclubes para que fossem feitas trocas de descobertas
pessoais acerca da fotografia com cada um testando em um canto o que lhe
apetecia. Tudo era permitido, não havia certo ou errado, como calham de ser os
inícios. Antes de artigos, cânones, delimitações de vertentes e definição de
paradigmas, os próprios fotógrafos montavam o seu material indo atrás de itens
como lentes, químicos de revelação e papéis fotográficos. Detalhes que tornavam
os resultados finais de suas fotografias bastante distintos uns dos outros,
porém, no século XX, esse hábito foi perdido com a estandardização e por conta
da facilidade de se obter os materiais padronizados: produzidos em larga escala
e, consequentemente, mais baratos e amplamente consumidos.
A foto de Wesely insere-se no fim do século XX,
acompanhando o soçobramento de diversos cânones modernistas. Ademais, ela vem
como uma peça simbólica para nos questionarmos a respeito da produção
contemporânea e percebermos que esse aparato de Wesely, teoricamente tão
experimental e inovador, faz um percurso bastante similar ao dos nossos
fotógrafos do XIX: a fotografia dita como “experimental”, sempre existiu.
Há muito sobre essa foto de Wesely
pela internet, por isso não sabia como abordá-la de forma diferenciada, me
resta, apenas comentar que elas são fotografias feitas durante as reformas na Potsdamer Platz,
a longa exposição foi utilizada justamente para incorporar o passar do tempo à
foto que nos traz uma história sendo contada de forma singular, seguindo uma
forma temporal que não pode ser chamada de fotografia usual, compondo dessa
forma, um novo jeito de lidar com o tempo.
Obs.: Um bom questionamento para a imagem-movimento, uma videoarte de Sam Taylor Wood. Clique aqui e assista!



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