Retornamos Com Saúde

                                                                                                                                                                           foto: Karsan Haval

Há dois meses que o Brasil criou uma fábrica de polêmicas (essa frase deve ser polêmica). Tudo virou motivo de revoltas e de soluções extremas. Não querendo polemizar demais o que já foi alvo de todas as discussões possíveis, eu gostaria de falar   sobre uma bomba, a que estourou essa semana em cima da classe médica. 

Nossos médicos se mostraram desde o início contra o programa do governo “Mais Médicos”, e apesar de achar os ataques infundados, nunca pensei que a categoria fosse chegar ao ponto de ignorar sua mais importante vocação: a humanidade. É inaceitável o comportamento que alguns médicos brasileiros tiveram na ocasião da chegada dos médicos cubanos, reagindo com vaias e comentários racistas.

Não vou nem entrar no mérito de que o povo brasileiro é um povo muito caloroso, nem, que é um absurdo, logo nós, vaiarmos nossos amigos cubanos, mas sim questionar porque um povo colonizado, constituído por maioria negra se mostra tão racista. Ainda pior que esse racismo é a hipocrisia de uns que dizem se preocupar com algum tipo de escravidão que os cubanos possam sofrer pelo “Mais Médicos”.  E porque aqueles dentre nós que se formaram em medicina, e se dizem médicos, se voltam contra os que vêm aqui em busca de emprego, com o intuito de tapar os enormes buracos que a nossa saúde deixa nas cidades onde pessoas ainda morrem de doenças simples, como sarampo, disenteria, verminose, etc.

Nosso sistema de saúde é realmente muito falho, mas penso que não ajuda muito rebater as poucas propostas promissoras que visam à melhoria desse sistema. A nossa classe médi(c)a é no geral muito elitizada e muito preconceituosa e quer atingir um nível socioeconômico que não inclua a classe pobre. É engraçado e assustador pensar em uma classe tão opressora quanto essa nossa elite, mas ela existe e não se  conforma com o espaço e direitos que as minorias vem ganhando.

Mesmo com o esvaziar das manifestações, a equipe do Manifesto retorna com um olhar voltado para a movimentação das cidades e às discussões sobre as mais diversas pautas, como saúde, educação, mobilidade urbana e etc. Nesse sentido, pedimos desculpas pelo sumiço, na verdade, só demos uma pausa porque engasgamos com a quantidade de coisas para falar. 

Um comentário:

  1. Sou médico e me envergonho de meus colegas pela atitude deles! Que venham os cubanos, que nos ajudem a cuidar dessa doença que é a saúde brasileira.

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