
“Os 19 anos são uma idade egoísta, que restringe severamente as preocupações da pessoa. Tinha muita coisa na minha frente e era o que me importava. Tinha muita ambição e era o que me importava. Tinha uma máquina de escrever que carregava de uma porra de apartamento para o outro sempre com alguma coisa para fumar no bolso e um sorriso na cara. Os compromissos da meia-idade estavam longe, os ultrajes da idade avançada, além do horizonte.”
Stephen King sobre os 19 anos, caros caríssimos.
Ah, os 19... Um ano entre os esperados 18 e o início das duas décadas de vida. Os 19 anos que martelam na cabeça dos jovens anjos e diabos sobre a vida e seus ideais. Se você é jovem ainda, amanhã jovem será...
Tenho 19 anos (embora devido à minha exímia produção de colágeno posso ser barrada na entrada de algum evento se não apresentar a ID), a faculdade por vezes se torna um bicho de sete cabeças, a perspectiva sobre a vida e o peso dos os anos que estão por vir é uma sombra inconstante. E, numa versão mais rústica e prática que uma máquina de escrever, tenho uns bloquinhos que carrego para cima e para baixo dentro da bolsa, cheios de pensamentos que já nem me lembro mais, de rostos desconhecidos que talvez permeiem minha mente ainda, de rabisco e de letra corrida.
Aos 19 corro contra o Tempo – corra, coelho branco, pois o relógio está perdido e nunca se atrasa -, por causa ritmo que levamos nessa vida ocidental que me impulsiona, sem carinho ou explicação, para anos à frente, os quais ainda não quero ter. Meus ídolos, precoces demais em vida, também já me deixaram prazos de entregas, ídolos que não respondem às minhas orações quando a inspiração se esconde n’algum lugar que não consigo achar (não o Edgar, esse não, jamais... Edgar é café, luz de vela, noite chuvosa e muita esquizofrenia); ídolos que estão nas minhas paredes, nas quais ponho minhas palavras também, um gracejo ao ego. Assim vou, embrenhando-me nessa corrida ao mesmo tempo que vou contra ela, pois o mundo é grande e minhas pernas, pequeninas. Quero andar devagar no fim das contas, olhar nos olhos dos transeuntes e reparar nas cores da cidade, sentir vertigem quando, pelas ruelas, olhar para cima, buscando o topo dos prédios e o céu entre eles. Respirar o urbano e o natural, vivendo nessa dualidade, em ambos os vícios. É assim que se vive, ao menos como eu tento, olhando para os tantos outros desconhecidos que – mesmo sem a consciência – também são vivos e potencialmente pensantes; olhando para o alto, olhando para baixo, esquerda, direita, 360° se possível. Olhando, e sentindo.
Dezenove anos, uma ingênua esperança, mas acima de tudo, uma mente perturbada, bloquinho e caneta na bolsa. Paixão.


É bom fazer um escolha posicionar-se. O urbano e o natural, espero que vivas bem com a dualidade. E RELAXE!!
ResponderExcluirPriscila