O Grito No Silêncio



            Aos 12 anos assisti, por acaso, um filme sobre um rapaz chamado Matthew Shepard, cuja história foi tão traumática que até hoje não a esqueci. Matthew tinha a idade que tenho hoje, era universitário e inteligente. Um rapaz extremamente comum para sua pequena cidade, se não fosse gay.  O filme começa após a internação em estado grave no hospital local e seus agressores presos. O primeiro choque foi o motivo. Testemunhas declararam que o rapaz em nada importunou os agressores, que retrucaram que ele se insinuara para ambos.
            O rapaz morreu depois de quatro dias internado, com a população dividida entre a barbárie e a revolta. Seus assassinos foram a julgamento, sendo salvos da cadeira elétrica pelos pais do assassinado. Essa cena se repete em tantos lugares que não há palavras que descrevam o horror que a realidade causa.
O Brasil mente em dizer que aceita todos. Aqui, por mais que a mentalidade não seja tão assustadoramente assassina como é em Uganda ou em estados retrógrados dos Estados Unidos, situações de constrangimento, agressão verbal e física as pessoas são frequentes. O motivo: falta de costume. Incômodo pelo diferente. Ignorância.
A solução encontrada pelos ativistas que decidiram colocar a cara à tapas é de simplesmente fazê-los se acostumarem. Um ato poético como um beijaço ou uma intervenção urbana que trouxesse os olhos do espectador para a visão do lutador. A Parada Gay foi o auge da conquista, mas hoje é vista apenas como um carnaval pesado. Não tem feito mais efeito para conscientização.
O medo que tive aos 12 anos ainda existe, assim como as pessoas que causaram esse medo. Mas se o silêncio se mantiver como resposta, nunca existirá o som da mudança.

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