Nossos
médicos se mostraram desde o início contra o programa do governo “Mais
Médicos”, e apesar de achar os ataques infundados, nunca pensei que a categoria
fosse chegar ao ponto de ignorar sua mais importante vocação: a humanidade. É inaceitável
o comportamento que alguns médicos brasileiros tiveram na ocasião da chegada
dos médicos cubanos, reagindo com vaias e comentários racistas.
Não
vou nem entrar no mérito de que o povo brasileiro é um povo muito caloroso, nem,
que é um absurdo, logo nós, vaiarmos nossos amigos cubanos, mas sim questionar
porque um povo colonizado, constituído por maioria negra se mostra tão racista.
Ainda pior que esse racismo é a hipocrisia de uns que dizem se preocupar com
algum tipo de escravidão que os cubanos possam sofrer pelo “Mais Médicos”. E porque aqueles dentre nós que se formaram em
medicina, e se dizem médicos, se voltam contra os que vêm aqui em busca de
emprego, com o intuito de tapar os enormes buracos que a nossa saúde deixa nas
cidades onde pessoas ainda morrem de doenças simples, como sarampo, disenteria,
verminose, etc.
Nosso
sistema de saúde é realmente muito falho, mas penso que não ajuda muito rebater
as poucas propostas promissoras que visam à melhoria desse sistema. A nossa
classe médi(c)a é no geral muito elitizada e muito preconceituosa e quer
atingir um nível socioeconômico que não inclua a classe pobre. É engraçado e
assustador pensar em uma classe tão opressora quanto essa nossa elite, mas ela existe
e não se conforma com o espaço e
direitos que as minorias vem ganhando.
Mesmo
com o esvaziar das manifestações, a equipe do Manifesto retorna com um olhar
voltado para a movimentação das cidades e às discussões sobre as mais diversas
pautas, como saúde, educação, mobilidade urbana e etc. Nesse sentido, pedimos
desculpas pelo sumiço, na verdade, só demos uma pausa porque engasgamos com a
quantidade de coisas para falar.


Sou médico e me envergonho de meus colegas pela atitude deles! Que venham os cubanos, que nos ajudem a cuidar dessa doença que é a saúde brasileira.
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